>
Maya é um work in progress de pessoa.


























 
Erguendo o véu do passado
<< current













 
Levante o véu de Maya Desvende-se



























O véu de Maya
nem tudo aqui é real
 

Quinta-feira, Maio 27, 2010  
Será que cansei das palavras? Agora me comunico pelos poros, com tato. Contato, ainda. Todo ritmo é música. Danço meus passos e sigo. Consigo? Comigo.
9:56 PM | Levante o seu véu

Sábado, Novembro 28, 2009  
Saudade daqui. Perdi o fio da meada.
11:40 AM | Levante o seu véu

Terça-feira, Agosto 11, 2009  

Há um pássaro preso em mim.

3:41 PM | Levante o seu véu

Domingo, Agosto 09, 2009  

agora sou também um pássaro achado

10:30 PM | Levante o seu véu

Quinta-feira, Julho 09, 2009  

Cansei de me imitar. Agora quero ser original.

7:54 PM | Levante o seu véu

Sábado, Março 14, 2009  

Construção

Já arranquei dentes, veias, sobrancelhas, fios de cabelo branco. Já arranquei pessoas e lembranças. Já arranquei lágrimas. Sempre como um escultor diante de um bloco de rocha, tentando tirar tudo que encobre a figura real perdida lá no meio da massa sólida. Busco minha forma real arrancando aquilo que parece não pertencer, mas me estranho. Parece que a figura verdadeira a que devo dar o nome de “Eu” é justamente a massa disforme. “Eu” é o dente torto, a veia inchada, a sobrancelha em desalinho, o fio que embranquece, a pessoa que não trouxe alegria, a lembrança do fracasso, a dor sufocada. “Eu” é a força com que bato. “Eu” é a escultura abstrata que não quero expor, porque não saberia explicá-la aos espectadores. A limitação de uma forma mais facilmente reconhecível pouparia perguntas e reticências como respostas. Por isso martelo e quebro e lixo e desbasto mas no final do dia guardo os fragmentos e farelos compassivamente e não me relaciono com a meia-forma que desenhei na pedra. “Eu” é mais a poeira do que a rocha. Vejo que é o pó a matéria-prima com a qual quero construir algo.

12:47 PM | Levante o seu véu

Terça-feira, Março 10, 2009  

o vazio é falta ou possibilidade?

3:10 PM | Levante o seu véu

Domingo, Fevereiro 15, 2009  

"Não é que eu queira dormir, eu só não quero acordar", ele disse, e eu entendi.


7:43 PM | Levante o seu véu

Sábado, Fevereiro 07, 2009  

O amor não é um escudo impenetrável.


12:47 PM | Levante o seu véu

Sábado, Janeiro 31, 2009  

Em trânsito

Medo de atravessar a rua. O que tem do outro lado. E se eu torcer o pé. E se o sinal abrir. E se não der tempo. E se eu pisar na poça. A rua é por onde se passa. E se eu passar despercebida. E se o tempo passar. Medo. E se nunca passar.Tanta coisa atravessada. A rua me atravessa e todos passam por mim sem medo. Eu estou do outro lado.

1:00 PM | Levante o seu véu

Terça-feira, Janeiro 27, 2009  

Crônica 2 ou Os limites são feitos de elástico

Cena 1

Quando vi, ele já estava lá, na beira do mar. Sozinho, se benzendo antes de entrar na água. Sem pernas, apoiado verticalmente sobre seu tronco (não sei se posso usar a expressão “de pé” para alguém que não os tem), depois de uma breve contemplação do oceano, caminhou sobre as mãos, se aproximou mais da água e mergulhou. Depois de algumas braçadas, logo estava boiando com aparência muito relaxada. Imaginei a sensação de liberdade que a água devia lhe dar. Leve, movimentos sem o atrito áspero que suas mãos deviam suportar diariamente para carregar seu meio corpo pela secura do mundo. Um amigo, com pernas, entrou um pouco depois. Conversaram, riram, o amigo saiu, sem oferecer ajuda, que também não foi pedida em nenhum momento. O homem sem pernas saiu do mar sozinho como entrou. Sozinho caminhou com as mãos pela areia de volta ao seu lugar. A mim pareceu uma pessoa bastante inteira.

Cena 2

Diante do monumento que homenageia alguma guerra estúpida – como são todas as guerras – os dois irmãos posavam para a foto. A estátua do soldado atingido se contorcendo de dor ao meio, de um lado o irmãozinho bem pequeno, com cara de quem está apenas obedecendo ordens sem entender nada, e do outro lado o irmão maior, sorridente (com um sorriso sacana, para ser mais exata), com uma das mãos em forma de revólver apontando para o irmão caçula. A vítima inocente, o homem agonizante e o assassino sádico. Era essa a cena. A mãe, rindo muito, fotografou, parecendo se divertir, como se fosse realmente normal um menino fingir que tem uma arma e que mata o irmão e que o adulto segurando o fuzil em sofrimento era banal. Talvez eu seja muito sensível. Talvez a vida esteja de fato repleta de banalidades a que dou importância demais. Mas a mim pareceu que faltava algo àquelas pessoas.

9:06 PM | Levante o seu véu

Sábado, Janeiro 24, 2009  

Crônica ou “Meu nome é legião, porque somos muitos”

Eu estava comendo em um restaurante de shopping – por fome e conveniência, não por prazer – e do alto fiquei assistindo às pessoas passando – por prazer, dessa vez. De repente ele surgiu. De terno, chapéu e um lenço bem dobrado no bolso. Uma interferência anacrônica na paisagem. A figura do início do século XX contrastava muito com as vitrines do século XXI. Ele não era velho o suficiente para que o traje já tivesse sido pertinente em algum momento de sua vida, e nem jovem o suficiente para um arroubo de excentricidade. “Que personagem”, ouvi alguém dizer. Olhando ao redor, as outras pessoas pareciam todas tão iguais. A moda, em sua pior acepção, uniformiza tanto. Todos tinham a cara do verão 2009, ou a cara de alguma tribo definida em roupas que mais pareciam crachás e uniformizavam do mesmo jeito, só que em ilhas. Qual era a cara real delas? Diverti-me pensando em como seria se todos se vestissem conforme sua idade mental ou emocional. Ou se todos se vestissem como quem realmente gostariam de ser. Será que as pessoas ainda sabem do que realmente gostam? Parada pitoresca seria, mas o homem de terno e chapéu pareceu estranhamente íntegro nesse contexto.

Não sei qual seria meu personagem ali. Talvez eu já seja o meu personagem. Não sei se sei bem quem mora debaixo da fantasia. Há muitos, uns mais fortes que outros. Não sei se me servem ou se me possuem. Não sei qual o traje da minha integridade.


7:59 PM | Levante o seu véu

Sábado, Janeiro 17, 2009  

Gala

Demais? Pode uma coisa ser boa demais, além do suportável? Ela não entendeu o que lhe estava sendo pedido com aquilo. Sentiu-se como um vestido de alta-costura, único e feito para ocasiões muito especiais, causando um efeito fantástico, mas inadequado para o dia a dia. Ela, que queria tanto simplesmente correr nua, era um vestido de gala. Então ia morar numa lembrança, numa foto, num suspiro nostálgico, mas não ia vê-lo de chinelos, barba por fazer, indo levar o cachorro para uma volta. Não ia vê-lo voltando suado da corrida na praia. Não ia vê-lo nunca mais porque era especial demais para ser gasta na rotina e aparentemente não combinava com a blusa furada que ele gostava de usar para dormir. Por que todos os dias não podem ser especiais? Sentiu-se uma princesa deserdada, ou uma Bela Acordada, única desperta enquanto todos no reino dormem e o que fazer então sozinha num castelo? Imaginou que defeitos poderia incorporar para ficar mais aceitável sem entender ainda o que ele quis dizer com “boa demais”, mas a porta bateu. A sala ficou vazia. O baile acabou. Um vestido de gala dobrado numa caixa no alto de um armário. Ele não queria mais dançar. Para ele, ela ficaria como uma lembrança de brisa e passou. Para ela, ele veio como um tornado. Em sua delicadeza, olhou para os escombros e sentiu-se de fato inadequada. Demais.

11:54 AM | Levante o seu véu

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009  
Bússola

N
um passo
e o caminho todo muda

S
tudo passa
eu também

L
descompasso
é ficar parado

O
voo no espaço
para caminhar




11:44 PM | Levante o seu véu

Sábado, Janeiro 10, 2009  

Power Yoga

Às vezes crio discordâncias de propósito, apenas para quebrar minhas próprias resistências.

12:51 PM | Levante o seu véu
 
This page is powered by Blogger.